Para fortalecer as estratégias de monitoramento dos vírus respiratórios em Roraima, a CGVS (Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde) realizou nesta segunda-feira, 10, o 1º Encontro de Unidades Sentinela de Síndrome Gripal de Roraima.
Durante a programação, foram discutidos fluxos de vigilância, qualificação das notificações, análise de dados epidemiológicos e estratégias para aprimorar a detecção e a resposta oportuna a doenças respiratórias.
“Nós esperamos com esse encontro fortalecer a vigilância sentinela de síndrome gripal, é uma vigilância hoje muito importante para o Brasil, nós conseguimos através dela captar os vírus circulantes antes de eles levarem a uma internação, a um óbito, e planejar ações de prevenção”, afirmou a enfermeira técnica do Núcleo de Controle da Poliomielite, Influenza e Tétano, Carolina Damacena.
Entre as unidades de vigilância sentinela estão o Pronto Atendimento Cosme e Silva, a Casai Yanomami (Casa de Apoio à Saúde Indigêna) e o Hospital da Criança Santo Antônio, em Boa Vista, além de unidades localizadas nas regiões de fronteira como Pacaraima, Rorainópolis e Bonfim.
Para a enfermeira da Unidade de Vigilância Epidemiológica do Pronto Atendimento Cosme e Silva, Auriuza Mendes, a participação das unidades é essencial para ampliar o monitoramento das síndromes gripais no estado.
“Nós fazemos parte dessa pactuação como sentinela há algum tempo, devido à grande quantidade de pacientes que procura a unidade de uma forma geral. E com isso colaboramos com a questão do Estado como um todo nessa monitorização da síndrome gripal”, ressaltou.
A coordenadora de Vigilância das Doenças Transmissíveis e Imunopreveníveis do município de Boa Vista, Edimilla Carneiro, ressaltou que o encontro também permite avaliar o desempenho das unidades e identificar pontos de melhoria na vigilância.
“Isso é uma devolutiva de como essas unidades estão fazendo seu trabalho ali, como o trabalho delas está sendo visto e como ele é importante dentro desse contexto de vigilância dos vírus respiratórios. Então assim, eu espero que esses encontros eles aconteçam mais vezes para melhorar o nosso serviço, mostrar os nossos avanços, mas também trabalhar nas nossas fragilidades para ter uma vigilância cada vez melhor”, disse.
A Sesau (Secretaria de Saúde de Roraima) realiza nesta quinta-feira, 5, e sexta-feira, 6, a Oficina de Apoio à Implementação do Novo Rastreamento Organizado do Câncer do Colo do Útero, voltada à qualificação de profissionais da rede de atenção básica.
A capacitação do NAPSM (Núcleo de Ações Programáticas de Saúde da Mulher) ocorre das 8h às 12h e das 14h às 18h, no bloco de Medicina da UFRR (Universidade Federal de Roraima), com o objetivo de preparar os trabalhadores da saúde para a implantação do novo modelo de rastreamento da doença no Estado.
Inicialmente, 30 profissionais de Boa Vista, entre enfermeiros e agentes comunitários de saúde, participam da formação e atuarão como multiplicadores na expansão da estratégia para os demais municípios de Roraima.
Novo método de rastreamento
A principal mudança no processo de prevenção é a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste DNA-HPV, método considerado mais sensível para identificar os tipos oncogênicos do vírus HPV, responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero.
Enquanto o Papanicolau detecta alterações celulares quando a lesão já está instalada, o novo teste identifica a presença do vírus antes mesmo que as lesões se tornem visíveis, permitindo diagnóstico e acompanhamento mais precoces.
O exame pode ser realizado inclusive por autocoleta, é indicado para mulheres entre 25 e 64 anos e, quando o resultado é negativo, permite intervalo de até cinco anos para a realização de um novo teste.
A gerente do Napsm, Lilian Souza, destacou que a nova estratégia representa um avanço importante na organização da assistência à saúde da mulher.
“Essa nova metodologia traz justamente a organização do processo de cuidado, permitindo que a atenção à saúde da mulher, especialmente no que envolve o tratamento oncológico, alcance níveis mais qualificados de atendimento”, explicou.
Expansão para todo o Estado
Segundo a gerente, a implantação da nova metodologia começa pela capital, mas a expectativa é ampliar o treinamento para todo o Estado ainda em 2026.
“Nós iniciamos o processo com profissionais das unidades básicas de saúde da capital, que estão recebendo informações sobre o novo teste e como ele funciona. A perspectiva é que, até o fim do ano, os demais municípios também recebam essa capacitação”, afirmou.
A implementação do rastreamento organizado tem como objetivo ampliar as ações de prevenção, fortalecer o diagnóstico precoce e reduzir a mortalidade por câncer do colo do útero em Roraima.
O Hospital Irmã Aquilina, localizado no município de Caracaraí, realizou 61.595 atendimentos em 2025, consolidando-se como uma das principais referências em cuidados médicos no sul do estado. A unidade funciona 24 horas por dia, com perfil voltado para urgência e emergência, além de oferecer suporte ambulatorial para usuários do SUS na região.
“Caracaraí é um dos municípios que hoje é contemplado com duas ambulâncias fixas, uma com atendimento avançado. Hoje nós atendemos pacientes em estado grave quando tem a necessidade e esse mesmo paciente que necessita de um atendimento mais aprimorado, conseguimos dar o suporte, encaminhar ele para um médico, enfermeiro, fisioterapeuta, até a Policlínica Coronel Mota”, destacou a diretora do hospital, Lilian Matos.
Ao todo, segundo o setor de estatísticas da unidade, foram contabilizadas 21.796 consultas emergenciais e 4.119 atendimentos de urgência, reforçando o papel da unidade como porta de entrada para casos agudos no município.
No apoio diagnóstico dos pacientes, foram realizados 7.215 exames de raio-X e 25.216 exames laboratoriais, além de 259 exames de corpo de delito.
Na área materno-infantil, o Hospital de Caracaraí dispõe de sala de parto ativa, com acompanhamento multiprofissional às gestantes, incluindo orientação, fisioterapia e assistência médica e de enfermagem, priorizando o parto humanizado, o que mostra a abrangência dos serviços prestados à população de Caracaraí.
A unidade contabilizou um total de 30 partos naturais no ano de 2025.
O hospital também contou com ações e palestras educativas voltadas tanto aos usuários quanto aos profissionais da unidade, fortalecendo a promoção da saúde.
Roraima é o primeiro Estado da Amazônia Legal a iniciar a implementação da tafenoquina pediátrica no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), medicamento indicado para a cura radical da malária por Plasmodium vivax em crianças com peso entre 10 e 30 quilos. A incorporação foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025.
Com o uso da nova terapia, a CGVS (Coordenação Geral de Vigilância em Saúde) da Sesau (Secretaria da Saúde) está qualificando as equipes que vão atuar diretamente na aplicação do tratamento.
Desde terça, 3, até sexta-feira, 6, cerca de 300 profissionais de saúde participam de uma capacitação estratégica para garantir segurança, eficácia e ampliação do acesso ao medicamento em todo o território roraimense. A qualificação acontece pela manhã e tarde no auditório da CGVS.
O gerente estadual de Controle da Malária da CGVS, Gerson Castro, explicou que Roraima foi definida como prioridade nacional devido ao cenário epidemiológico.
“Roraima está sendo o primeiro estado da Amazônia Legal a implementar essa medicação, porque mais de 80% dos casos de malária no Estado estão no território Yanomami, e mais de 50% desses casos são em crianças. Por isso, a prioridade é iniciar a tafenoquina pediátrica nessa região”, explicou.
Capacitação fortalece estratégia no território Yanomami
A formação é conduzida pela Coordenação Nacional de Eliminação da Malária, em parceria com a Gerência Estadual de Controle da Malária da CGVS, e ocorre no auditório da Vigilância em Saúde, em Boa Vista.
Na terça, 3, e quarta-feira, 4, estão sendo capacitados profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami. Na quinta-feira, 5, o treinamento é direcionado ao Dsei Leste. Já na sexta-feira, 6, participam equipes das unidades básicas de saúde da capital.
O público inclui referências técnicas municipais, agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, microscopistas, técnicos de patologia, farmacêuticos, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos, que atuarão como multiplicadores em suas unidades.
A capacitação aborda protocolos clínicos, critérios de elegibilidade, realização do teste quantitativo da enzima G6PD (Glicose-6-Fosfato Desidrogenase) –esse exame é obrigatório antes da administração da tafenoquina nas crianças devido ao risco de hemólise– e estratégias de monitoramento dos pacientes.
Dose única e redução de recaídas
A tafenoquina representa um avanço no enfrentamento da malária por Plasmodium vivax, espécie responsável pela maior parte dos casos no Brasil. Diferentemente do tratamento convencional, que exige múltiplas doses, o novo medicamento é administrado em dose única, facilitando a adesão e reduzindo o risco de abandono do tratamento.
“A tafenoquina é uma cura radical, ou seja, é uma dose única, de maneira simples, e que não permite a recaída da malária”, ressaltou Castro.
Segundo ele, a estratégia é fundamental para reduzir a cadeia de transmissão, especialmente em áreas de difícil acesso, como comunidades indígenas e regiões remotas.
A partir da segunda quinzena de março, a população elegível em Roraima já poderá receber o novo tratamento, inicialmente com foco no território Yanomami, onde se concentra a maior incidência da doença no Estado.
Estratégia nacional de eliminação
A malária é uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela fêmea do mosquito do gênero Anopheles. No Brasil, as espécies de maior relevância epidemiológica são P. vivax, P. falciparum e P. malariae.
O Brasil segue a Estratégia Técnica Global da OMS (Organização Mundial da Saúde) e lançou o Plano Nacional de Eliminação da Malária, que prevê a redução progressiva de casos e a eliminação da transmissão autóctone até 2035.
AGENDA
Terça-feira, 3 de março
Público: Dsei Yanomami (turma 1)
Horários: 9h às 12h e 14h às 18h
Quarta-feira, 4 de março
Público: Dsei Yanomami (turma 2)
Horários: 9h às 12h e 14h às 18h
Quarta-feira, 5 de março
Público: Dsei Leste (turma 3)
Horários: 9h às 12h e 14h às 18h
Sexta-feira, 6 de março
Público: Equipe estadual e profissionais de Boa Vista (turma 4)
Integrado à rede estadual de saúde, o Hospital Délio de Oliveira Tupinambá, localizado no município de Pacaraima, na região Norte do Estado, registrou 6.150 atendimentos ao longo do ano de 2025.
A unidade desempenha papel estratégico na assistência à saúde na fronteira com a Venezuela, garantindo atendimento contínuo à população local, comunidades indígenas, migrantes e pessoas em trânsito.
“Com 12 leitos de internação, exercemos um papel fundamental na estabilização de pacientes graves, realizando também o manejo clínico e a remoção regulada para unidades de terapia intensiva de referência na Capital, quando indicado pelos nossos médicos. O funcionamento do hospital é assegurado por equipe plantonista médica em regime de plantão, garantindo assim atendimento 24 horas por dia”, afirmou o diretor da unidade, Mauricio Januário.
Entre as atividades realizados pelo Hospital Délio de Oliveira Tupinambá estão a realização de atendimentos de urgência e emergência médica; internações clínicas e pediátricas; partos de baixo risco e assistência materno-infantil, além da realização de exames radiológicos, atendendo tanto a demanda hospitalar quanto as da Atenção Básica do município.
A unidade também se consolida como referência estadual no atendimento a acidentes ofídicos, agravo comum em áreas de floresta e difícil acesso.
Considerado ponto estratégico no extremo Norte de Roraima, o hospital atua em um território de elevada complexidade assistencial e abriga o Laboratório de Fronteira, sendo muito importante para diagnóstico regional e resposta sanitária na região.
“O nosso Hospital Délio Oliveira Tupinambá mantém papel essencial na organização da rede de atenção à saúde do Estado de Roraima, contribuindo de forma decisiva para ampliação do acesso, redução de agravos, estabilização de quadros clínicos graves e proteção da vida”, destacou Januário.